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24 maio 2012

Aiaaaaai

Nós brincamos na areia com canetas de cheiro a melão e amora, e nós só vamos à escola por causa das canetas. "Dizem que o corretor líquido dá uma moca do caralho se ficares muito tempo a cheirar", diz o puto gordo que, como já aconteceu a todos, rebentou a esferográfica Bic na boca e ficou com a língua toda azul. As nossas balizas são feitas à noite e são de pedregulhos da calçada portuguesa originalmente pombalina, em cima de alcatrão já riscado de giz para podermos saltar em qualquer jogo que dê para saltar. O nosso mundo é o nosso bairro, o resto são planetas que nem os cotas da NASA conseguiram inventar. As miúdas bonitas continuam a achar que a beleza lhes dá direito de serem arrogantes e os putos escarram ainda melhor que os velhos. Acho que têm mais pinta. Os cereais estão prontos e os desenhos ainda dão na televisão que não foi apagada ontem à noite. Eu vou continuar a ver o Cartoon Network apesar de não perceber puto do que eles dizem em inglês. Porque tu podes continuar aí no teu mundinho real, no mundo onde paras de sonhar quando acordas. Eu vou continuar a sonhar depois de acordar. Ah!, quando eu morrer vou poder sonhar ainda mais. 
Eu peço que acordes do real. Se o real fosse bom, não tinha o Homem inventado a Arte.

30 abril 2012

Carta de amor

Nada na vida é justo. Não queiras viver confinado numa sala com um juíz, dois advogados e o teu adversário. Improvisamos, que é melhor. Vais ver que nem vais reparar, porque és e somos tão nada que morreremos sem  idealizar o que justo quer dizer.
Podemos ser pacman's, a sério. Podemos ser felizes para sempre, durante cinco minutos. Eu dou-te felicidade, se algum dia a tiver. Vais gostar.
Nem me peças para explicar o amor que sinto por ti. Eu não sei o que é amar. Tu não mo ensinaste porque não se ensina algo que não se sabe. Não consegues dar-me algo se não o tiveres. Nunca vais fazer sentir-me verdadeiramente livre, porque tu não vives na liberdade. Talvez concordes comigo no sexo. Eu gosto de cus dignos. Duros, queimados pelo sol e apertados. Usados pela vida. E pelos homens. Isso é um cu digno. Nunca gostei de virgens.
Alegra-te, vá. Isto é uma carta de amor. Talvez a verdade seja amor. Eu gostaria da verdade, se conseguisse imaginá-la. Gosto de saber que sou pequeno, que não sou nada e que posso imaginar ser tudo. Tudo, com todas as letras. Porque vai continuar a ser mentira. E eu vou continuar a viver nela, porque na verdade, nem tu, nem eu, sabemos o que é verdade.
Eu escolho a minha.