
Eu sou meio esquesito.
Perante as situações más e confusas, enfrento-as discretamente: não grito, não me esperneio nem luto. Recolho-me na minha concha e o mundo que se resolva.
Há-de ele resolver-se?
Não sei, não me interessa. Uma posição completamente passiva quanto a confrontações.
Abana-se a cabeça, concorda-se com o errado, rendemo-nos a tudo. E a nós próprios.
Deixai fluir a natureza.
E sofre-se, pune-se assim por toda a vida por nem sequer se ter suspirado em protesto. Pois, para quê garantir a minha única felicidade se posso gerar a felicidade de muitos outros simultâneamente? É melhor assim, é melhor assim.
Há que querer o bem dos outros.
Sabe-lhes bem.Injustiças acumulam-se cá dentro, sem defesas por minha parte, homem submisso quanto à razão alheia. Sacrifícios são apenas um contacto com o nosso interior.
São?
Depois explode-se.
Explode-se o mundo num grito, parte-se a casa com um só toque e as veias do pescoço ficam da largura do céu. Jorra-se fluídos vermelhos na cara das pessoas; eu com a raiva, elas com a revolta do sangue na cara. Feitiços mentais, voodoos e macumbas.
Enfiar três dedos na traqueia, arrancar corações, trincá-los e fazê-los de pastilha elástica. Com os donos vivos, assistindo o espetáculo da vida deles.
Recompensar o que nos foi dado.
Pois quando se recebe é preciso dar, não é verdade?

Agora, ainda lhes sabe bem?