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08 março 2011

Apollo


-Vamos todos juntos?
-Não, vou só eu. Assim somos mais.

A tua grandeza de saber ser não seria bem entendida se não soubesse que não existe qualquer alter ego dentro ou fora de ti. Eramos todos núvens que tu iluminavas, e nós absorviamos-te diariamente. Os teus braços chegavam a nós todos os dias, beijavas-nos com lábios quentes nossa nuca e nós iamos, brincando numa caminhada infinita pelo céu , dividindo-nos em mil nómadas e tomando formas abstractas.
No dia em que alguem teria de partir, daríamos toda a vida e abdicaríamos de toda a glória por ti. Mas nós levariamo-nos. Tu sabias que, indo tu, levarias todos contigo. Sempre nos tiveste em conta no teu coração redondo.

02 fevereiro 2011

Resistence is Futile



Maldades são sempre maldades.
E os terríveis, maldosos e vilões sempre serão o horror. Muitos, tornam-se demónios vivos aquando da ascenção divina. Mesmo cá na terra, eles segredam-nos mel aos ouvidos e acariciam-nos com talha dourada que tanto gostamos.




Os bons? Cá na Terra,
São bons até cometerem um único pecado.
Porque cá na Terra não há Jesus Cristo. Não há perdão para pecados.
E morrem infelizes, comidos pela terra sem sentirem qualquer toque dos Céus.



Os maus? Morrem na Terra, tornam-se terra prevalecendo no solo em que vocês se deitam e eternizam-se para sempre lá. Convosco.
E tornam-se demónios que vos consomem.

15 janeiro 2011

Boa noite


O sono anestesia-me enquanto acendo o candeeiro para escrever-te. A lâmpada desanima-se em desmaios e recompõe-se rapidamente e o carvão do lápis é já pequeno e gasto dos retratos que te fiz.
Enrolo-me numa gruta de cobertores de veludo e flanela, peço perdão pela ganância e choro baixinho. Sinto-me ridículo por mostrar a parte fraca e tu, a meu lado, sorris como se estivesses à espera deste choro íntimo desde sempre. Aninho-me mais a ti, enrolo-me em concha, minhas mãos cheiro-a-chá-verde cobrem-me a face e choro. Choro mais, mais, mais e mais mas baixinho.
Porque as lágrimas são um peso que não pedimos e que sustentam injúrias ínfames.
É sempre óptimo saber que estás cá.