18 janeiro 2011

Supremacia


Atingires os teus objectivos não te faz sentir o rei do mundo, nem algo que nunca pensarias que fosses capaz. Faz apenas sentires-te mais tu; mais revigorado e autêntico.
E é essa a grande beleza da realização.

16 janeiro 2011

Nunca.


Enquanto eu não sentir que o tempo mudou, não vou sair do porão em risco de levar a vida para longe de mim.

15 janeiro 2011

Boa noite


O sono anestesia-me enquanto acendo o candeeiro para escrever-te. A lâmpada desanima-se em desmaios e recompõe-se rapidamente e o carvão do lápis é já pequeno e gasto dos retratos que te fiz.
Enrolo-me numa gruta de cobertores de veludo e flanela, peço perdão pela ganância e choro baixinho. Sinto-me ridículo por mostrar a parte fraca e tu, a meu lado, sorris como se estivesses à espera deste choro íntimo desde sempre. Aninho-me mais a ti, enrolo-me em concha, minhas mãos cheiro-a-chá-verde cobrem-me a face e choro. Choro mais, mais, mais e mais mas baixinho.
Porque as lágrimas são um peso que não pedimos e que sustentam injúrias ínfames.
É sempre óptimo saber que estás cá.

29 dezembro 2010

Ampulheta



O equilíbrio é fundamental para a sobrevivência.
É o que sustenta o pico da alma, sendo a base para o nosso corpo e o alicerce da nossa razão. E, sobretudo, é a origem do cepticismo.
O extremo é concretamente descartável: uma vez consumindo o extremo, não reparamos que este processo implica uma relação imbiótica, consumindo-nos também e tornando-nos dependentes, ambiciosos e entregues a tal excesso. São-nos consumidas então as energias e desmaia-nos o espírito.
O intermédio é, por sua vez, trivial. Visto milhares de vezes, em milhares de angulos, por milhares de sentidos, torna-se um quotidiano no qual não desejamos viver mais. Morremos dentro de nós, sucumbindo orações para a evolução.
Não é, então, de um meio-termo que falo.
É de equilibrio: um conceito muito mais profundo e objectivo que uma balança regulada. Um conceito que funciona como um polvo, estando a essência, mãe e cordenadora de tudo, na cabeça do polvo; e, por seguinte, os oito tentáculos do mesmo tamanho, onde residem todas as vertentes, onde reside o equilíbrio, sempre dependente da cabeça do sistema.
Assim, o equilíbrio é só atingido quando descoberta a sua acompanhante, a essência. Estes oito tentáculos devem também ser activos, usando as suas ventosas a fim de alimentarem-se do exterior mundano: o exterior é um dos caminhos para alimentar-se o íntimo. E é também só com as ventosas buscando ar de que se precisa, que se filtra tudo o que nos rodeia.

26 dezembro 2010

As luzes não se apagam


É aí que eu me perco, na intimidade dos lençóis
Quadrados, redondos, de seda, todos voam
com o ar fresco-quente dos sonhos.
É tão bom viagar sem ter de sair do sítio.
De manhã sinto falta dela,
cheirosa almofada que me canta as ondas do mar.
E somos aviões de papel, dentro de um emaranhado e
meninos à solta numa gruta de lençóis.
Lanternas acesas, pupilas dilatadas, excitação alargada.
Dormir? Só quando as luzes se apagarem...

24 dezembro 2010

Santa is Fake


Merry Christmas!

Carácteres ferrenhos


Eu sou meio esquesito.
Perante as situações más e confusas, enfrento-as discretamente: não grito, não me esperneio nem luto. Recolho-me na minha concha e o mundo que se resolva.
Há-de ele resolver-se?
Não sei, não me interessa. Uma posição completamente passiva quanto a confrontações.
Abana-se a cabeça, concorda-se com o errado, rendemo-nos a tudo. E a nós próprios.
Deixai fluir a natureza.
E sofre-se, pune-se assim por toda a vida por nem sequer se ter suspirado em protesto. Pois, para quê garantir a minha única felicidade se posso gerar a felicidade de muitos outros simultâneamente? É melhor assim, é melhor assim.
Há que querer o bem dos outros. Sabe-lhes bem.
Injustiças acumulam-se cá dentro, sem defesas por minha parte, homem submisso quanto à razão alheia. Sacrifícios são apenas um contacto com o nosso interior.
São?
Depois explode-se.
Explode-se o mundo num grito, parte-se a casa com um só toque e as veias do pescoço ficam da largura do céu. Jorra-se fluídos vermelhos na cara das pessoas; eu com a raiva, elas com a revolta do sangue na cara. Feitiços mentais, voodoos e macumbas.
Enfiar três dedos na traqueia, arrancar corações, trincá-los e fazê-los de pastilha elástica. Com os donos vivos, assistindo o espetáculo da vida deles.

Recompensar o que nos foi dado.
Pois quando se recebe é preciso dar, não é verdade?


Agora, ainda lhes sabe bem?